segunda-feira, 15 de julho de 2013

Mundo nerd - NES completa 30 anos


Quase 62 milhões de unidades do NES/Famicom foram vendidas

Há exatos 30 anos, a Nintendo tentava levar às casas japonesas o mesmo sucesso alcançado nos arcades com Donkey Kong. A difícil missão foi atribuída ao Famicom (da junção das palavras inglesasfamily e computer), que posteriormente, no lançamento nos Estados Unidos, seria rebatizado como Nintendo Entertainment System, o NES, ou Nintendo, para eles lá, e Nintendinho, para nós, aqui.

A Nintendo dava um passo arriscado com o NES. Em 1983, a indústria dos videogames, que ainda engatinhava, viveu o que chamamos de crash. O mercado, amplamente dominado pela Atari e seu 2600, foi inundado com jogos de baixa qualidade e ainda dividia espaço com computadores. A produção em massa e o consequente endividamento das empresas envolvidas tornou-se um problema porque o mercado, saturado, já não tinha demanda, e a bolha estourou. O resultado foi um desastre e a indústria dos videogames americana quase deixou de existir.
Longe desse cenário tenebroso, o Famicom nascia no Japão, onde os tentáculos da Atari não haviam chegado. O sucesso no mercado oriental fez a Nintendo se arriscar nos Estados Unidos, onde ninguém acreditava que uma empresa japonesa pudesse reerguer uma indústria em ruínas. Os céticos ficaram boquiabertos poucos meses depois, tamanho o êxito do console, apoiado em uma das maiores criações de Shigeru Miyamoto - Super Mario Bros.
Famicom, o NES japonês

A partir daí, o NES se consolidou como a principal plataforma da geração 8-bits, servindo de berço para franquias famosas da Nintendo, como The Legend of ZeldaMetroidKirby e elevando ao status de astro mundial o principal mascote da empresa, Mario. Quase 62 milhões de unidades foram vendidas e a produção, mantendo o título de plataforma mais vendida da história durante muito tempo.
A produção do console durou incríveis 20 anos, sendo descontinuada somente em 2003, se considerado o modelo novo, o NES 101, lançado posteriormente pela fabricante. Foi sucedido pelo Super NES em 1990, mas continuou a receber jogos até meados da década de 90. Ao todo, 500 milhões de cartuchos compatíveis com a plataforma foram vendidos, sendo Super Mario Bros. o de maior sucesso, com mais de 40 milhões de unidades comercializadas.
Foi com o NES e seus jogos que alguns padrões foram estabelecidos na indústria. O controle desenvolvido para que os jogadores operassem os botões com os polegares e o direcional em forma de cruz foram alguns deles. Mas é inegável a importância cultural do console – com o um videogame de jogos complexos em casa, os jogadores podiam se reunir para jogar, trocar segredos e emprestar jogos, tornando o hábito de jogar algo natural, que passou a fazer parte da vida de crianças e adolescentes nascidos nos anos 80.
Dois periféricos: Powerglove e R.O.B.
Com o NES também foi consolidada a cultura dos periféricos, apetrechos desenvolvidos para criar uma experiência de jogo diferente. Entre outros, o console tinha a pistola Zapper, o robô R.O.B. (Robotic Operating Buddy) e a Powerglove, uma luva com a qual era possível – ou não – executar comandos com movimentos.
No Brasil, o console teve pouca expressão. Lançado oficialmente somente em 1993, o NES chegou em um pequeno mercado já dominado pelo Master System da Sega, seu maior concorrente da geração, e ainda via a ascensão de seu sucessor, o Super NES, e de outra plataforma da empresa rival, o Mega Drive.
Passados 30 anos, porém, o console ainda é reconhecido como um dos principais responsáveis por reerguer a indústria norte-americana e fazer a Nintendo entrar, de fato, nos lares de todo o mundo. O legado deixado pelo NES é imensurável, assim como sua importância histórica para a indústria, que homenageia a plataforma abrindo espaço para seus melhores jogos nos sistemas de videogame atuais.
A biblioteca do NES é imensa e é de cortar o coração fazer uma lista com os melhores títulos do console – dezenas e mais dezenas de obras-primas ficam de fora. Mas tentamos ser sucintos o bastante para reduzir a seleção a dez games que carregam a essência do filho mais velho da Nintendo. Jogar os games a seguir é uma experiência e tanto, mas acredite – é só uma fração do legado gigantesco do NES.
Super Mario Bros. 3 (1988)
A Nintendo se superou com a terceira versão do bigodudo. Caminhos alternativos e secretos, muitos outros power-ups e o carisma já consolidado do personagem foram os ingredientes do game que é considerado por muitos críticos como o melhor do console e de toda a indústria. Se não for o bastante, é só voltar duas edições e recorrer ao Super Mario Bros. original.
The Legend of Zelda (1986)
Aqui começa a cronologicamente confusa epopeia de Link. O formato revolucionário e o tamanho de Zelda datam de 1986, quando a franquia iniciou seu caminho para o sucesso. Mais uma vez Shigeru Miyamoto acertava em cheio, dando início a uma das mais icônicas franquias de aventura da história.
Metroid (1986)
Outra franquia que teve deu seu primeiro passo no NES com um título épico e acima dos padrões do console. A exploração e o progresso gradual das habilidades – o DNA da série – já haviam começado na geração 8-bits. Contribuiu com o sucesso o fator surpresa – o protagonista, ao final, revelava-se uma heroína, e não um homem.
Battletoads (1991)
Duas palavras resumem o título: game over. Pode não ser considerado parte do Cânone do NES no que diz respeito à qualidade, mas é o símbolo do nível de dificuldade de muitos dos games da época. Aqueles que conseguiam chegar ao fim de Battletoads eram elevados ao status mitológico, tamanho o trabalho para sobreviver os primeiros níveis.
River City Ransom (1989)
Um tremendo beat’em up que na maioria das vezes é ofuscado porDouble Dragon, o grande nome do gênero para o console. Mas o diferencial são os elementos de RPG – dá para incrementar os atributos dos personagens com o dinheiro que os inimigos derrubam quando são derrotados.
Contra (1988)
Cima, cima, baixo, baixo, esquerda, direita, esquerda, direita A, B e Start. Se você não usar o código da Konami, as chances de que você passará longe de terminar Contra são grandes. O game de ação está entre os mais difíceis do NES, e também entre os melhores.
Kid Icarus (1986)
A simpática franquia que desapareceu por anos fez bastante sucesso no 8-bits da Nintendo. Em vez de avançar lateralmente, como na maioria dos games, o jogador precisa subir, subir e subir enquanto dispara flechas nos demônios, numa espécie de mistura entre Ice Climbers e Metroid.
Mega Man 2 (1988)
A série da Capcom teve seis edições no NES, uma em cada ano a partir de 1988. Mas é a segunda a que mais agradou os fãs do robozinho. O sucesso do game foi estrondoso e pavimentou o caminho da Capcom nos consoles domésticos.
1942 (1986)
Mais uma pérola da Capcom que deixou os demais games do gênero no chinelo. Originalmente desenvolvido para arcades em 1984, o jogo retomava o período da Segunda Guerra e, diferentemente dos demais títulos de aviões e naves, tinha uma barra de vida. O problema é que o sinal de perigo ficava cada vez mais intenso à medida que a morte se aproximava. Jogar sob pressão é difícil!
Punch-Out! (1987)
Com Mike Tyson ou com Mr Dream, Little Mac não tem vida fácil. Um game de luta diferente e bem humorado que se tornou símbolo do NES, mas ficou em segundo plano nas demais gerações da Nintendo.
Claro que nossa sucinta lista não contempla toda a grandiosidade do NES. Por isso, como bônus, fica esse vídeo com cem títulos do console para serem vistos em dez minutos.

Onde comprar ou jogar NES?


Com 30 anos de idade e parte de um mercado que se recicla em pouco tempo, o NES se tornou uma relíquia, praticamente peça de museu. Embora os consoles tenham chegado no Ocidente um pouco depois de seu lançamento no Japão, ainda assim encontrar peças por aqui requer paciência. Felizmente a tecnologia nos presenteou com emuladores, cartões de crédito e almas abençoadas capazes de criar um site com o que o sistema tem de melhor. Veja abaixo como fazer para jogar NES.

A opção mais fácil – e provavelmente mais usada – são emuladores e roms, espalhados aos montes pela internet. Alguns jogos são bastante raros de achar e é bom ter cuidado com os sites de onde vêm os downloads, pois vários deles contêm vírus. Vale lembrar também a velha regra explicitada nesses sites – você só pode baixar determinado jogo se de fato possuir uma cópia física.
Ainda tendo o computador como referência, há o site Nintendo8, cujo nome é uma referência aos 8 bits do NES, onde os jogos completos podem ser jogados online. Embora a página tenha uma biblioteca respeitável, faltam alguns títulos. Os principais, porém, estão todos lá.
Quem tem um Wii, um Wii U, um DS ou um 3DS tem a possibilidade de jogar nos próprios videogames. A Nintendo disponibiliza os games originais pelo Virtual Console a preços modestos, de 500 a 1000 Wii Points, o que dá entre US$ 5 e US$ 10.
Mas se você é daqueles extremamente saudosistas e quer uma experiência 100% genuína, resta a opção de comprar um NES. O problema é achá-lo aqui no Brasil, uma vez que não houve distribuição oficial. Há lojas especializadas em videogames antigos, mas a melhor aposta é procurar sites de vendas de produtos usados, tanto nacionais quanto internacionais. Mas prepare a carteira – o console é uma raridade e, logo, custa caro.

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